Menstruar muito cedo pode prejudicar crescimento da menina


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Nos dois anos que precedem a primeira menstruação, espera-se que a menina passe pelo estirão, fase de crescimento acelerado. Se ela vem antes, sobra menos tempo para que a garota cresça.

“A presença de estrógenos, hormônios liberados no ciclo menstrual, no corpo da menina, antes da idade adequada, faz com que a idade óssea avance, reduzindo o tempo total de ganho de altura antes do fechamento completo das cartilagens de crescimento”, explica a endocrinologista pediátrica Soraya Lopes Sader, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Há uma tendência, ao longo das últimas décadas, de redução da idade da menarca (primeira menstruação). “É um fenômeno atribuído a fatores alimentares e ambientais, ao excesso de peso e aos estímulos da vida moderna”, diz a médica.

O cenário ideal
É esperado que a menarca aconteça em torno dos 12 anos. Mas entre os dez e os 15 considera-se dentro da normalidade.

“A primeira menstruação é uma consequência de mudanças hormonais iniciadas cerca de dois anos antes dela. No início, a variação desses hormônios é muito grande, resultando em irregularidade menstrual, mas, aos poucos, o corpo vai amadurecendo e os ciclos se regularizam”, afirma a hebiatra Andrea Hercowitz, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Quando a menina começa a menstruar, seu corpo está bem desenvolvido, com mamas e pelos. Porém, ainda haverá aumento dos seios, os pelos pubianos atingirão as virilhas e o corpo ganhará curvas. Após a menarca, e por até dois anos, espera-se um crescimento de cinco a sete centímetros, em média.

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Quando é precoce
Se ocorrer antes dos nove anos, a menarca é considerada prematura. O surgimento do broto mamário antes dos oito anos pode indicar que ela está prestes a acontecer.

“Aparecimento precoce de pelos pubianos e axilares ou aceleração da velocidade de crescimento também merecem investigação”, fala a endocrinologista Soraya.

Há outros prejuízos
Além de crescer menos que o desejado, a menstruação prematura pode causar episódios de bullying, uma vez que a diferença fica evidente para todos os que estão em volta da menina.

“A angústia pela incompatibilidade entre o corpo desenvolvido e a mente infantil e o aumento do risco de eventual abuso sexual também podem ocorrer”, afirma a endocrinologista.

A medicina ajuda a controlar o tempo biológico
É possível inibir a puberdade, atrasando a menarca. “O tratamento é indicado para meninas com perda do potencial de altura final e que apresentem alterações psicossociais”, fala Soraya.

Mas atenção é preciso indicação médica. “Deve-se tomar cuidado com os exageros, pois muitas famílias têm procurado o tratamento para crianças e adolescentes sem necessidade, por questões de estética ou por acharem que as filhas, mesmo não estando em situação de puberdade precoce, são emocionalmente imaturas para menstruar”, diz Andrea.

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Como é feito o tratamento
O bloqueio da puberdade é feito com medicações que alteram a fisiologia da secreção dos hormônios da hipófise, que estimulam os ovários. “O tratamento é à base de medicações hormonais, administradas mensalmente por via intramuscular, implantes subcutâneos ou por via nasal”, explica a pediatra Aline Magnino, do Prontobaby – Hospital da Criança, no Rio de Janeiro.

Segundo a especialista, como todo tratamento hormonal, existem efeitos colaterais, como aumento do volume ovariano, alterações de humor ou ganho de peso.

Quando é melhor procurar ajuda
Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhor será o resultado. O ideal é que seja feito antes da primeira menstruação. “É possível retardar o processo após mais de um ciclo menstrual, mas o resultado obtido sobre a estatura pode não ser satisfatório”, explica a endocrinologista pediátrica.

Soraya, no entanto, diz que nem todas as meninas que apresentam mamas antes dos oito anos terão indicação de bloqueio da puberdade.

“Se não houver progressão do estágio de puberdade, aceleração da velocidade do crescimento nem avanço da idade óssea, mantém-se apenas a observação da evolução”, fala a especialista.

Até quando interferir
O médico, em conjunto com a paciente e sua família, decidem quando é hora de suspender o tratamento. Em geral, é em torno dos 12 anos. “Ao suspender o medicamento, espera-se que a primeira menstruação ocorra após um período entre 12 e 18 meses”, conclui Andrea Hercowitz.

Link original | Letícia Rós e Veridiana Mercatelli para UOL | 16/01/2018

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