‘Negociar’ decisões com filhos incentiva argumentação e autoconfiança neles


Criar um filho é um grande desafio. Não existe uma receita de bolo: os pais vão tentando, sempre torcendo para acertar. Há aqueles mais liberais, outros mais controladores. É preciso ter em mente que você está criando um futuro adulto, portanto, a criança deve ser treinada — sem exageros, claro — para o que a espera. Na hora de decidir sobre assuntos relacionados à vida de seu filho, é bom levar em consideração a opinião dele.

— Mostrar ao filho que ele também pode ter opiniões e ser ouvido é uma forma de estimular a capacidade intelectual e de argumentação, aprender sobre limites e consequências das escolhas. A partir de conversas e negociações claras, é possível ensinar crianças e adolescentes a agir com iniciativa, serenidade e criatividade frente aos problemas, além de encarar dificuldades e frustrações — afirma Andrea Ramal, educadora e consultora em Educação.

Breno Paquelet, especialista em negociação pela Escola de Negócios de Harvard, orienta que os pais negociem temas referentes ao cotidiano dos filhos. O momento de arrumar a cama, por exemplo, pode ser escolhido por eles.

— A criança vê que está tendo uma opção, apesar de ser algo obrigatório para ela. Negociar este tipo de compromisso faz com que os filhos sintam que, em algum ponto, são eles que tomam a decisão. Além disso, é mais fácil a criança cumprir (o compromisso) com a sugestão que ela mesma deu, do que com a imposta pelos pais — diz.

‘Eles aprendem a ter responsabilidades’

Janaina Braga de 42 anos, chef coach funcional

Em casa, o que mais negociamos é a alimentação. Tento introduzir uma rotina saudável, e juntos escolhemos o dia em que iremos comer “besteira” e o que será. Negociamos também como gastar e investir dinheiro: “Vale a pena gastar R$ 5 mil com uma festa ou é melhor viajar?” Com isso, eles aprendem a ter responsabilidades, poupar tempo e dinheiro, estabelecer prioridades e ter um olhar mais criterioso para o mundo e para si.

Equilíbrio é caminho para boa educação

Há quem pense que ser autoritário e sempre dar ordens aos filhos seja a melhor maneira de mantê-los “sob controle”, mas, segundo Luciana Brasil, psicóloga do Centro Pediátrico da Lagoa, do Grupo Prontobaby, este posicionamento dos pais pode ser muito prejudicial.

— Pais autoritários são aqueles controladores, rígidos e inflexíveis, que com frequência, usam o castigo e as agressões verbais ou físicas como instrumento para “coagir” ou “corrigir” comportamentos que podem ser conversados. Com isto, criam filhos retraídos e com a autoestima baixa — alerta.

Ser mais liberal e estar aberto a negociações não significa fazer todas as vontades da criança. É preciso deixar claro para o filho que a autoridade, naquela situação, é você. Mas isso deve ser feito com amor.

— É preciso encontrar o equilíbrio entre vontades e limites. Crianças criadas sem limites se tornam pessoas mimadas, que se irritam facilmente e têm dificuldade em lidar com frustrações. Por isso, é importante avaliar cada situação e dizer não sempre que necessário. Mas, por outro lado, é importante ouvir e respeitar os filhos, para que eles se sintam parte essencial da família. Diálogo, afeto e a definição de limites claros são essenciais para uma educação equilibrada — diz Andrea.

Estabelecer uma relação de confiança na qual pais e filhos podem expressar suas opiniões estreita o relacionamento entre as duas partes e torna a convivência diária mais harmônica.

Como dialogar

Link original | Evelin Azevedo para Jornal Extra | 13/05/2018

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