Como apoiar e incentivar seu filho tímido sem criar traumas


Seu filho tem dificuldades de interagir com outras pessoas e passa boa parte do tempo na escola sozinho? Se sim, ele pode ser uma criança mais tímida, um traço de personalidade que está intimamente ligado ao sentimento de insegurança e pode surgir já nos primeiros anos de vida.

“Na primeira infância, é normal que a criança se torne um pouco tímida, é uma característica que a protege do desconhecido em um momento que ela está começando a descobrir o mundo ao redor, e saindo de uma realidade super confortável”, comenta Talitha Nobre, psicóloga do Hospital Prontobaby, no Rio de Janeiro.

Antes de se preocupar, contudo, vale entender se a criançca é mesmo tímida ou apenas introspectiva. “Uma pessoa introvertida busca mais em si a energia e motivação para a vida, e tudo bem”, destaca Talitha. “Já a timidez é um desconforto frente a um estímulo, geralmente social, que passa a ser prejudicial quando impede que a criança realize suas atividades do dia a dia”, completa.

Os pais precisam transmitir segurança

É com eles que a criança tímida vai aprender a explorar novos cenários e se empoderar para interagir. O primeiro passo para isso é a escuta. “Ela precisa ter um espaço dentro de casa onde se sinta segura para falar dos seus medos e problemas”, comenta Fabíola Falh, pedagoga e Diretora Nacional de Ensino da Escola da Inteligência, em São Paulo.

Em famílias mais agressivas, ou que interrompem a criança para reprimi-la antes mesmo que ela termine de contar o que houve, pode ser que os pequenos se fechem ainda mais. “Claro que a intervenção às vezes é importante, mas os pais precisam aguardar ela terminar e perguntar como se sente em relação àquilo”, explica Fabíola.

Outra situação comum é quando a criança quer brincar com algo que não é dela ou precisa pedir algo a alguém e os pais não esperam que ela resolva o problema. “Ela tem que verbalizar o que quer, e uma boa maneira de treinar isso é levar a criança no supermercado, por exemplo, e fazer com que ela dê o dinheiro, ou peça o que deseja ao balconista de um comércio”, ensina a psicóloga.

Os adultos podem, inclusive, intervir em situações com outras crianças. Num parque, por exemplo, quando o tímido tende a ficar observando de longe, com a mão na boca e até sorrindo discretamente, pergunte se ele deseja brincar, diga que pode ir junto caso ele queira, ou convide outra criança para brincar com vocês – uma tática bacana, pois não tira a criança da segurança que sente com os pais. Sempre de maneira não impositiva, respeitando as negativas caso apareçam.

A criança tímida na escola

Nos primeiros dias de aula, ela pode precisar de apoio da família até que crie o vínculo com os professores, que servirão como novo porto seguro do filho em um novo ambiente. “Quando o profissional percebe que a criança é mais tímida, a primeira medida é não a expor, mas conversar sempre no particular e entender suas preferências”, explica, Adriana Santos Meneguello, coordenadora pedagógica do Colégio Mary Ward, em São Paulo.

Na medida em que o vínculo vai sendo conquistado, o professor começa a inseri-la pouco a pouco nas atividades. “Primeiro em grupos pequenos, com uma ou duas crianças, usando materiais que facilitem a interação e atividades que envolvam o brincar livre”, completa Adriana. Ações integradoras, como prática de esportes, dinâmicas e projetos, também ajudam.

Acima de tudo, a escola precisa respeitar a criança. “Entender que cada pessoa é uma individualidade, e que devemos respeitá-la em seus gostos e atitudes, é muito importante”, diz Dely Antunes, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Qi, no Rio de Janeiro.

Outra atitude fundamental é trabalhar bem perto da família. “A escola precisa conhecer a história de vida da criança para ajudá-la a superar sua timidez. Chamar os responsáveis para uma conversa e estabelecer uma parceria entre família e colégio pode ser necessário”, completa Dely.

Se o seu filho não quer interagir

Não force a barra, por mais que dê vontade de ‘empurrar’ a criança. “Quando vemos que nosso filho está sofrendo, a nossa dor é bem maior, e nesse processo entramos no desrespeito, na imposição”, destaca Fabíola.

Uma situação clássica é chegar em um local cheio de adultos e o filho não querer cumprimentar ninguém. “Essa recusa deve ser acolhida. Pergunte porque ela não quer falar, diga que podem cumprimentar depois e se ofereça para ir junto quando ela estiver pronta”, ensina Fabíola. Às vezes ela só não se sente confortável com adultos ou em um ambiente diferente, e precisa de tempo para se aclimatar.

Diante de outras crianças, não basta apenas dizer “vai brincar!”, mas sim oferecer ferramentas para isso e mediar esse processo, sempre respeitando os limites dela. Forçar ou brigar pode gerar traumas e mais insegurança, fazendo com que não só ela não supere a timidez, mas isso se agrave até chegar na vida adulta.

“Aí sim, será prejudicial em uma entrevista de emprego, na vida social e na capacidade de discutir sobre qualquer assunto”, destaca Fabíola.

Evitando rótulos 

Dizer que o filho “é assim mesmo, não fala com ninguém”, ou impor qualquer rótulo é prejudicial. “O rótulo funciona tanto como uma muleta, para relevar comportamentos da criança, ou tem um impacto negativo, no sentido de que, quanto mais ouvimos que ‘somos’ alguma coisa, mais assimilamos aquilo como verdade”, ensina Fabíola.

Fonte: Bebe.com.br

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