Chances de o pré-diabetes não evoluir para o tipo 2 da doença são grandes


Mais de 13 milhões de pessoas têm diabetes no Brasil. Segundo o Atlas do Diabetes, a incidência da doença vem aumentando ano a ano no mundo a níveis alarmantes. Mesmo que não haja cura, há formas de prevenir o tipo 2 da doença. E ainda uma fase de alerta: o pré-diabetes. Neste momento, há grandes chances de evitar que a pessoa a desenvolva. Para isso, mudar o estilo de vida, com dieta e atividade física, é o caminho.

O pré-diabetes se dá quando há um nível glicêmico, o de açúcar no sangue, que não está normal, mas também não é alto o bastante para definir como diabetes. Está no meio do caminho, explica o endocrinologista Daniel Kendler, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

— O risco principal é desenvolver a doença em médio a longo prazo. As medidas para mudança no estilo de vida devem ser intensificadas para prevenir a evolução do quadro — afirma Kendler. — Tanto o pré-diabetes quanto o diabetes estão em uma curva ascendente, junto com a de obesidade. Isso é preocupante como saúde pública e individual.

O endocrinologista indica que apenas fazendo mudanças de estilo de vida, como dieta e atividade física regular, é possível prevenir o diabetes tipo 2 em 30% a 50% dos casos. Em situações mais específicas, o uso de medicamentos pode trazer resultados melhores.

— Se esta é uma doença que teoricamente pode prevenir, o pré-diabetes é a margem que temos para agir e intervir nos fatores de risco. O diagnóstico desta fase é muito importante — ressalta Denise Reis Franco, diretora da ADJ Diabetes.

Considerada uma doença do adulto, o diabetes, por outro lado, tem atingido cada vez mais crianças e adolescentes. Segundo o endocrinologista pediátrico do Grupo Prontobaby Wallace Gaspar, os fatores de risco, como a obesidade, têm se tornado mais comuns nos pequenos.

— Isso é preocupante porque o desenvolvimento precoce da doença aumenta o risco de complicações mais cedo, como problemas cardiovasculares — diz o médico.

Identificar fatores de risco e agir, com mudança na alimentação e atividade física, são passos fundamentais para evitar que o diabetes se instale. Como a criança está em desenvolvimento, explica Wallace, uma avaliação médica e nutricional é necessária para que não tenha excesso no ganho de peso natural da idade ou prejuízo de nutrientes.

Um dos principais fatores de risco para o tipo 2 da doença é o sobrepeso e a obesidade. Colesterol alto, hipertensão e histórico familiar também influenciam. Mulheres que tiveram diabetes gestacional e síndrome do ovário policístico devem ficar atentas porque também têm mais probabilidades.

Durante a gestação

Um outro tipo de diabetes é o gestacional. Caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez, a doença pode acontecer no último trimestre da gestação.

Durante a gravidez, para manter a nutrição do bebê, a placenta produz hormônios que aumentam a glicose no sangue. Quando esse açúcar é elevado, em grande parte das mulheres o pâncreas passa a produzir mais insulina e não há qualquer complicação. O diabetes gestacional ocorre quando o pâncreas não aumenta a produção para voltar aos valores normais. Ao retirar a placenta, após o nascimento do bebê, termina aquela produção aumentada de hormônios e se normaliza a situação.

— Ter diabetes gestacional é um indício de que o pâncreas já não trabalha tão bem ou a resistência à insulina já está alterada, então, no futuro, há mais riscos de ter o tipo 2 — diz a endocrinologista Denise Reis Franco.

Durante a gestação, quando se diagnostica que a mulher tem o tipo da doença, trata-se com dieta e, se preciso, é feito o uso de insulina. Caso não controle, há riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. É muito importante que essa mulher seja acompanhada pelo resto da vida por um médico.

‘Depois que aceitei, passei a me cuidar’

Vilma Senna de Souza – Dona de casa, de 77 anos, tem diabetes tipo 2

Recebi o diagnóstico aos 66. No início, não aceitava, me tratei até com psicóloga. Depois que aceitei, passei a me cuidar melhor. O médico falou que eu poderia tomar só remédio e não precisaria de insulina, mas tinha que fazer dieta. Passei a comer menos, melhor e nas horas certas. Fiz também hidroginástica e caminhada. A doença foi controlada. Mas não abandono a dieta porque a glicemia já subiu uma vez e pode subir de novo.

Link original | Por Ana Paula Blower para Jornal Extra, com colaboração de Wallace Gaspar, endocrinologista pediátrico | 03/09/18

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