‘Minha filha parou de comer frutas e legumes’: o que fazer quando isso acontece? stella-monada janeiro 22, 2026

‘Minha filha parou de comer frutas e legumes’: o que fazer quando isso acontece?

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Dúvida da semana 🤷‍♀️🤷

“Minha filha foi criada com alimentação saudável, mas chegou aos 13 anos e está recusando boa parte dessa formação. Parou completamente de comer frutas e alguns legumes. Como convencê-la?”

Essa questão também já apareceu lá em casa. Minha filha tem 9 anos e há algum tempo começou a recusar verduras e legumes que sempre comeu “de boa”.

Confesso que, muitas vezes, minha estratégia tem sido a negociação clássica: “Come essa verdura para poder comer a sobremesa que você quer”. Não é uma boa dica, aliás.

As especialistas que ouvimos nesta edição mostram caminhos muito mais eficazes.

Importante: a pergunta que recebemos partiu de um pai de adolescente, mas nós ampliamos a conversa. Trazemos aqui estratégias que atravessam diferentes faixas etárias. De quebra, ainda compartilhamos três receitas fáceis para fazer com crianças ou adolescentes.

Deixo o meu convite: se você tem dúvidas sobre a educação dos filhos (crianças ou adolescentes), envie sua pergunta ao final desta reportagem. Muitas vezes, a sua angústia é a mesma vivida por outras famílias.

Palavra das especialistas 👩‍🏫👨‍🏫

 

Ana Paula Platenik – Nutricionista clínica (@nutrianapaulaplatenik)

🌱 Essa mudança costuma assustar os pais, mas, na maioria das vezes, ela faz parte de um processo natural. Quando a criança é pequena, ela chega à alimentação como uma espécie de “página em branco”: não tem referências de sabor, não compara, não escolhe tanto. Com o crescimento, ela passa a ser exposta a sabores mais intensos, principalmente açúcar, sal e produtos industrializados, e isso muda a percepção do paladar.

🔁 Nosso gosto é moldado pela repetição. Quanto mais uma criança entra em contato com sabores muito intensos, menos interessantes frutas, legumes e verduras tendem a parecer. Não porque deixaram de ser bons, mas porque o paladar foi “treinado” para outro padrão.

🧠 Soma-se a isso um movimento importante do desenvolvimento: a necessidade de se diferenciar dos pais. Dizer “não gosto” muitas vezes é menos sobre o alimento e mais sobre afirmar autonomia, fazer escolhas próprias, ainda que isso aconteça de forma inconsciente.

💡 A boa notícia é que, sim, tem volta. Mas ela raramente vem pela força. Um ponto central é o valor que a alimentação tem dentro da rotina da família. Hoje, com a vida corrida, a cultura da refeição se perdeu muito: famílias que quase não sentam à mesa, pedidos constantes de comida pronta, horários desencontrados. Quando a criança não participa do processo (escolher, comprar, preparar), ela só vê o final: o prato pronto e a cobrança para comer. Isso costuma gerar resistência.

🍳 Envolver a criança e o adolescente faz muita diferença. Não precisa ser todo dia, nem algo complexo. Escolher uma receita juntos, pensar nos ingredientes, fazer a lista de compras, ir à feira ou ao mercado e cozinhar em família já cria vínculo com o alimento.

🥚 Outra estratégia importante é apresentar alimentos novos junto com os chamados “alimentos de segurança”, ou seja, aquilo que a criança e o adolescente já aceitam bem. Um legume dentro de um omelete, uma fruta acompanhando uma panqueca ou uma tapioca, por exemplo. Alimento novo isolado costuma ser muito mais difícil de aceitar, até para adultos. Destaco que não é para esconder a fruta ou o legume.

⏳ Também é fundamental respeitar o tempo. Oferecer, reapresentar, mudar o corte, a forma, a temperatura. Às vezes, o problema não é o sabor, mas a textura. Crianças sentem muito mais a textura do que o gosto em si. Em alguns casos, o primeiro passo nem é comer, mas tocar, cheirar, preparar, até mesmo deixar no prato. Isso também é avanço.

⚖️ Outro ponto importante: crianças e adolescentes podem não gostar de todos os alimentos e tudo bem. O objetivo não é fazer com que comam absolutamente tudo, mas ampliar o repertório, evitar restrições severas e manter uma relação saudável com a comida. Quando a refeição vira um campo de guerra, com barganhas, ameaças ou recompensas, o estresse só aumenta e o avanço costuma ser menor.

🔍 É preciso também olhar com atenção para casos em que a seletividade é muito intensa, persistente ou vem acompanhada de outros sinais. Crianças e adolescentes neurodivergentes, por exemplo, podem ter questões sensoriais importantes relacionadas a textura, cheiro e aparência dos alimentos. Nesses casos, investigar e, se necessário, buscar acompanhamento especializado faz toda a diferença.

🥕 Vale lembrar que frutas, legumes e verduras são fontes fundamentais de vitaminas, fibras e compostos importantes para o crescimento, a imunidade, a energia, a pele, o cabelo e o funcionamento do intestino. As consequências da exclusão desses alimentos não aparecem de uma semana para outra, mas se constroem ao longo do tempo. E isso pode e deve ser explicado ao adolescente de forma concreta, conectada com aquilo que faz sentido na vida dele.

❤️ O caminho é aproximar. Criar ambiente, exemplo, repetição sem pressão. Alimentação saudável não se impõe, ela se constrói, aos poucos, dentro da rotina real de cada família.

Na adolescência, o mais eficaz é a conscientização, diz médica. Tentar conectar a alimentação ao que faz sentido para o jovem, como os esportes ou a academia, é uma boa estratégia — Foto: Reprodução

 

Aline Magnino – Pediatra, nutróloga e diretora médica da Clínica Pediátrica da Barra

📌 Essa situação é muito mais comum do que parece e não significa, necessariamente, que algo deu errado lá atrás. Na infância até os primeiros anos do ensino fundamental, a criança costuma comer o que é oferecido. Com o tempo, ela vai formando o próprio paladar, conhecendo outros alimentos, outros ambientes, outras referências. E isso se intensifica na pré-adolescência e na adolescência.

🧩 Nessa fase, a alimentação deixa de ser apenas uma questão nutricional e passa a ser também social. A cantina da escola, as propagandas, os lanches “da moda” e aquilo que circula entre os amigos têm um peso enorme. Muitas escolhas alimentares são, na verdade, tentativas de pertencimento. Quando todo mundo vai para a cantina, é difícil para um pré-adolescente ou adolescente querer ser o único comendo fruta.

🗝️ Por isso, é importante entender que essa mudança não é apenas “birra” ou teimosia. Ela tem muito a ver com autonomia. O adolescente quer escolher, quer afirmar quem é, quer mostrar que tem voz. Quanto mais entramos em embates diretos, obrigando, controlando demais, maior tende a ser a resistência.

🥣 Até a pré-adolescência, uma estratégia que costuma funcionar bem é envolver a criança no preparo dos alimentos. Cozinhar juntos, pensar no lanche da escola, escolher frutas no mercado. Quando a criança sente que participou da decisão, ela se apropria mais do que está comendo. Não se trata de “enganar”, mas de dividir o controle.

🧭 Já na adolescência, o caminho muda um pouco. Aqui, o mais eficaz é a conscientização. Não no tom do medo ou da ameaça, mas conectando alimentação com aquilo que faz sentido para o adolescente. Se gosta de esporte, mostrar como a alimentação influencia o desempenho. Se gosta de academia, explicar como os nutrientes ajudam na construção muscular. Se se importa com pele, cabelo ou unhas, falar sobre o papel das vitaminas nisso tudo. A conversa precisa partir do interesse deles, não apenas da nossa preocupação.

📉 Também é importante lembrar que os prejuízos de uma alimentação pobre em frutas, vegetais e grãos não aparecem de um dia para o outro. Comer mal no fim de semana ou em um dia específico não é o problema. O risco está no padrão ao longo do tempo. A longo prazo, podem surgir deficiências vitamínicas, queda de imunidade, alterações intestinais, dificuldade de ganho de massa muscular, além do aumento do risco de sobrepeso, obesidade e alterações no colesterol.

🗣️ E isso tudo pode e deve ser explicado ao adolescente de forma concreta, sem alarmismo. Mostrar consequências reais, mas possíveis de compreender: mais cansaço, mais gripes, pior recuperação física, pele mais ressecada, unhas fracas. Informação clara costuma ser muito mais eficaz do que bronca.

🌍 Outro ponto fundamental é o ambiente. O exemplo dos adultos importa, mas o ambiente coletivo também. Quando possível, conversar com outros pais e alinhar lanches da escola, por exemplo, pode ajudar. Crianças e adolescentes observam, comparam e negociam o tempo todo. O que está disponível em casa e nos ambientes que frequentam faz diferença.

✨ Convencer nem sempre é o melhor verbo. A ideia não é vencer uma disputa, mas manter o diálogo aberto, oferecer informação, sustentar limites possíveis e confiar que a formação construída ao longo da infância não se perde tão facilmente.

DESCOMPLICA. Em resumo, o que dizem os especialistas

 

🌱 Normalização: A recusa a frutas, legumes e verduras na pré-adolescência e adolescência é comum e faz parte do desenvolvimento do paladar e da busca por autonomia.

👥 Influência social: O grupo de amigos, a escola, a cantina e os alimentos industrializados exercem forte impacto nas escolhas alimentares, muitas vezes mais do que as orientações dos pais.

🧭 Autonomia com vínculo: Quanto mais a alimentação vira imposição ou disputa, maior tende a ser a resistência; envolver a criança e o adolescente nas decisões favorece a adesão.

🏠 Ambiente e exemplo: O padrão alimentar da família, a rotina de refeições e o que está disponível em casa moldam o repertório alimentar ao longo do tempo.

🧰 Dicas práticas: Envolver a criança e o adolescente no processo (ir à feira, escolher ingredientes, cozinhar juntos), conectar a alimentação ao que faz sentido para eles (esporte, academia, energia, aparência) e apresentar alimentos novos junto com “alimentos de segurança” ajuda a ampliar o repertório alimentar sem transformar a refeição em disputa.

 

👀 No radar: Receitas que podem ser feitas por adultos e crianças juntos, indicadas pela nutricionista Ana Paula Platenik

 

MUFFIN DE ESPINAFRE COM QUEIJO 🥬🧀

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de farinha de trigo
  • ½ xícara (chá) de farinha de trigo integral
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara (chá) de queijo muçarela em cubinhos
  • 1 xícara (chá) cheia de espinafre
  • ½ xícara (chá) de óleo de soja ou azeite extravirgem
  • ½ xícara (chá) de leite integral
  • 3 ovos

 

Modo de preparo

Desfolhe o espinafre e pique grosseiramente. Em um liquidificador, bata o óleo, o leite, os ovos e o espinafre. Em um bowl, junte todos os ingredientes secos. Aos poucos e com ajuda de um fouet, acrescente a parte líquida. Unte a forma de muffin, preencha a metade com a massa, recheie com o queijo e cubra a outra metade. Asse em forno preaquecido a 180ºC por mais ou menos dez minutos.

NUGGETS DE FRANGO CASEIRO COM ABOBRINHA 🍗🥒

Ingredientes

  • 500g de peito de frango
  • 1 ovo batido
  • 1 colher (sopa) de cebolinha (opcional)
  • 200g de farinha de milho
  • Sal e pimenta (a gosto)
  • 1 cebola pequena
  • 1 abobrinha
  • Azeite

 

Modo de Preparo

Bata os peitos de frango no processador e reserve. Bata a abobrinha, a cebola e a cebolinha no processador e misture ao frango.

Triture a fatia de pão no processador e misture ao frango. Faça bolinhas no formato de nuggets com a misture e passe uma de cada vez no ovo batido e, em seguida, na farinha. Unte uma assadeira com azeite e arrume os nuggets sem que eles se encostem. Leve ao forno preaquecido por 20 minutos, virando os nuggets aos 10 minutos para que fiquem dourados dos dois lados.

BOLO DE BANANA 🍌🍰

Ingredientes

  • 2 bananas nanicas bem maduras
  • 2 ovos
  • ¼ de xícara de óleo de soja ou azeite extravirgem
  • 1 xícara de farelo de aveia
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 1/3 de xícara de uvas passas pretas
  • 1/3 de xícara de castanhas-do-pará picadas

 

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador, exceto o fermento. Despeje a mistura em uma tigela e acrescente o fermento. Unte uma assadeira de bolo inglês com óleo e farelo de aveia, e leve para assar em forno preaquecido a 200ºC por, aproximadamente, 30 minutos. Sirva com canela e mel.

Fonte: 

  • O Globo – https://oglobo.globo.com/blogs/meus-filhos-minhas-regras/post/2026/01/minha-filha-parou-de-comer-frutas-e-legumes-o-que-fazer-quando-isso-acontece.ghtml

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