Escolas e creches concentram aumento de infecções respiratórias e gastrointestinais no início do ano letivo
O início do ano letivo, marcado pelo retorno das aulas em fevereiro, coincide com um dos períodos mais críticos para a disseminação de viroses infantis. Após semanas de férias, as crianças voltam a conviver de forma intensa em ambientes fechados, compartilhando brinquedos, materiais escolares e espaços coletivos, o que favorece as chamadas infecções cruzadas, quando vírus se espalham rapidamente entre os alunos e, consequentemente, para dentro das famílias.
Do ponto de vista assistencial, fevereiro é historicamente um mês de aumento expressivo na procura por atendimentos pediátricos por febre, sintomas respiratórios e gastrointestinais. Segundo a pediatra Manuella Bueno, do Prontobaby Hospital da Criança, o ambiente escolar reúne exatamente os fatores que mais contribuem para a circulação viral.
“Com o retorno das atividades, as crianças passam a ter contato muito próximo, dividem objetos, alimentos e entram em contato com saliva e gotículas de outras crianças contaminadas. Isso cria um cenário ideal para a propagação de vírus, principalmente os respiratórios e gastrointestinais”, explica.
No contexto escolar, o conceito de infecção cruzada está diretamente ligado à transmissão entre alunos. “Infecção cruzada significa que uma criança já contaminada transmite a doença para outra previamente saudável, principalmente por contato direto e superfícies compartilhadas”, esclarece a médica.
Evidências científicas corroboram essa observação clínica. Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que escolas e creches funcionam como importantes amplificadores da transmissão viral comunitária, especialmente nas primeiras semanas após o retorno às aulas. Uma revisão publicada no Journal of Pediatric Infectious Diseases aponta que o risco de transmissão de infecções respiratórias em ambientes escolares pode ser até três vezes maior nesse período, quando há reagrupamento de crianças de diferentes núcleos familiares.
As viroses mais comuns nessa época incluem resfriados, gripes, bronquiolites e gastroenterites virais, com impacto significativo entre crianças menores. De acordo com a especialista, esse grupo apresenta maior vulnerabilidade.
“Elas possuem um sistema imunológico mais imaturo e, muitas vezes, ainda não completaram o calendário vacinal, o que aumenta tanto a chance de adoecer, quanto de transmitir para outras crianças”, afirma Manuella.
A médica reforça que a permanência em casa é uma das medidas mais eficazes para conter surtos e proteger a coletividade.
“Febre, congestão nasal intensa, diarreia, vômitos ou lesões de pele são sinais claros de que a criança deve permanecer em casa em caso de adoecimento, até a recuperação. Isolar temporariamente é fundamental para interromper a cadeia de transmissão”, orienta.
Embora a higienização de brinquedos e superfícies seja importante, ela não é suficiente para controlar a disseminação.
“A limpeza ajuda, mas não resolve sozinha. É preciso também isolar crianças contaminadas para realmente conter os surtos”, alerta a pediatra.
Para escolas e famílias, a prevenção passa pela checagem da caderneta de vacinação, observação diária de sintomas e comunicação imediata entre instituição e responsáveis. Em situações mais graves, como quadros que exigem internação ou identificação de vírus com tratamento específico, como a influenza, medidas mais rigorosas de controle e comunicação tornam-se indispensáveis.
“A saúde de uma criança impacta diretamente a saúde de toda a comunidade escolar. Prevenir é sempre uma responsabilidade coletiva”, finaliza.
Autora:
Jésica Leiras
Fonte:
Jornal Tribuna – https://jornaltribuna.com.br/2026/02/retorno-as-aulas-reacende-alerta-para-surtos-de-viroses-entre-criancas-em-fevereiro/
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